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Mesa Branca com Janis Joplin
 
 
Sou uma pessoa que nasceu sem o chip de musicalidade no cérebro. Atravesso uma escala cantando "Atirei o pau no gato" e mal sei tocar campainha com perfeição. Ironicamente, já fui vocalista de duas bandas e, pasmem, a única música que consigo cantar, naquelas, é "Mercedes Benz", da Janis.
E lá estava eu, um belo dia, arriscando umas notas cortadas no chuveiro, quando fui subitamente tomada pela vontade de cantarolar tal canção. Achei estranho, parecia que algo me dominava. Ao mesmo tempo, comecei a filosofar involuntariamente sobre a personalidade de Bobby McGee. Algo estava por vir... Comecei a viajar.
Summertime....uma voz rouca sussurrava em meus ouvidos. Gershwin? Não, ela mesma, em hectoplasma e fumacinha, dentro do meu box.
- Hey, kiddo! Quer um gole?- e ofereceu um pouco de whiskey, com aquele seu sotaque peculiar.
Tava chapada e com vontade de reformar o mundo. Apresentei-me e perguntei o que ela estava fazendo em meu banheiro:
- Sabe, escolhi você, que tem a mínima capacidade, porém boa vontade de cantar uma música minha para levar uma mensagem ao mundo todo...
- Tremi.
Ela prosseguiu:
- Peça a todos que parem de reproduzi-las mal e porcamente!!! Porra, minhas músicas trazem algo além do que simplesmente parecem e, no entanto, já viraram até trilha de novela das seis!!!
- Mas você sabe como é esse mundo. Tudo que vira mito é banalizado. - essas foram minhas sábias palavras...
- The hell with it! E daí? Só por isso eu tenho que me conformar e virar pop?! Isso deixa seqüelas na gente! Eu bebo de desgosto, morri de desgosto por tudo isso. Meu amigo Jimmy, o mesmo caso. Tem camiseta com a nossa cara vendendo até na feira! Que eu saiba há uma grande diferença entre nós e os Beatles, por exemplo. - e deu mais um trago. Eles sim queriam público! Queriam ser mais famosos que Deus, pô!! Eu não...só queria cantar para meus amigos...curtir...ai, que tempo bom...
- É, você tá certa. Eu não gostaria de ver minha obra, única e ímpar, na boca do povo.
- Pense nisso... E ela desapareceu no vapor do box...
Aquilo me deixou atônita. Será que compensava gastar meus piolhos com isso? Sei lá. A partir de então, fiquei mais ligada nesses lances de fama. Fui dormir. E eu comecei a achar que liberdade é só mais um sinônimo de "nada a perder"...

 
chinelagens no Enecom 2000
 
 

(ou, uma grande pedalada, se é que vocês me entendem.)

Enecom. Encontro Nacional dos Estudantes de Comunicação. Ou seja, uma grande reunião das pessoas mais chapadas que eu conheci.
Chinelagem, prá quem não sabe, no idioma tchê, significa vexame, e, foi o que não faltou MESMO. Frio"zinho", várias pessoas bonitas (?!?!), muito vinho quente (que prá eles é quentão), muitos com-bustíveis, e não tinha como não ser uma puta balada.
Mas primeiro, uma nota sobre os tchês: ELES SÃO MESMO COMO DIZEM! Vários odeiam homossexuais (são macho-chos), eles falam tchê, bah, tomam chimarrão, siiiiiiim, existem loiras de 2 metros e olhos azuis, existem gaúchos lindos, e o Sul é o único lugar do país onde a proporção é de 1 para 1! E a gente ainda recrimina deles acharem que o Sul é outro lugar. (Na minha opinião é mesmo, só não sei se pior ou melhor).
Prá quem tá acostumado com os alojamentos de Juca, Economíadas, etc e tal, a Unisinos, onde ficamos, era um hotel 4 estrelas (e a quinta é você!!! Má oi!). Gentes, tinha descarga auto-mática! ahahahah Tinha uma galera que até ficou mal acostumada; imagina cagar e antes de pensar em deixar o filho lá, a descarga já faz tchuuuuu! Muito chique. Por isso nunca encontrávamos aqueles banheiros impossibilitados. Mas não, não tô reclamando!
Festa todos os dias. DESCULPEM. Cada dia de uma região. A do pessoal de São Paulo foi feita junto com a do Rio, e fora aqueles rap´s ridículos, foi o melhor som. ("Tive, tive, detetive, tive, o meu pai é detetive, tive, detetive, mas o teu é despachante!" Fora Popozuda, né?). Agora, imaginem: 1400 lôcos do Brasil, A-LU-CI-NA-DOS dançando a música do Balão Mágico. Não é só na ESPM que a gente recorda a infância! No último dia, ops, noite, foi a festa psicodélica. Preciso dizer mais alguma coisa? Tava chovendo. Prá virar Woodstock só faltava estar mais quente. Rolou uma corrida de bikes, ano 2000. Bem legal.
Resumo: no Enecom tem que ir com a cabeça (e o resto, se quiser) bem aberta. Não se reprima (como já diziam os sábios Menudos) e não reprima ninguém. Assim que funciona. Melhor prá nós.
No ano que vem rola em Salvador. Guardem suas energias. Vale a pena.
Ah, me esqueci, prá quem curte uma coisa diferente, Flu, que mistura bossa nova, mpb e sons e-letrônicos. E quem gosta de punk brega (arg), Wander Wildner, que eles A-DO-RAM!

 

 

 



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